Quando pensamos em terapia, é comum imaginar que todos os psicólogos atendem da mesma forma. Mas na prática, não é assim. A psicologia é um campo amplo, com diferentes abordagens teóricas que orientam a forma como cada profissional compreende o sofrimento humano e conduz o atendimento.
A abordagem é a base teórica que o psicólogo utiliza para trabalhar. São os estudos, conceitos e modelos que ele usa para avaliar, formular hipóteses e propor intervenções. Isso influencia diretamente a forma como a terapia acontece. Alguns profissionais têm uma postura mais reservada, outros são mais participativos. Alguns utilizam técnicas de questionamento estruturado, tarefas para serem feitas entre as sessões, exercícios práticos. Outros podem utilizar dramatizações, como no psicodrama, em que o paciente encena situações difíceis para elaborar emoções. Há profissionais que exploram mais a história de vida e o inconsciente, enquanto outros focam mais no momento presente e nos padrões de pensamento e comportamento.
Existem diferentes formas de organizar as abordagens dentro da psicologia. De maneira mais técnica, podemos falar em três grandes eixos de compreensão da psicopatologia.
O primeiro é o eixo da psicopatologia psicodinâmica, de onde derivam as abordagens psicanalíticas e junguianas. Nessa perspectiva, os conflitos emocionais costumam ser compreendidos a partir da história de vida, das experiências passadas e dos conteúdos inconscientes. Trabalha-se com conceitos como conflitos internos, mecanismos de defesa e estruturas como neurose, psicose e perversão.
O segundo é o eixo da psicopatologia fenomenológica, que dá origem às abordagens humanistas e fenomenológicas. Aqui, o foco está na experiência vivida da pessoa. Não há ênfase em rótulos diagnósticos, mas na compreensão do fenômeno tal como ele se apresenta. É uma linha que dialoga bastante com a filosofia e prioriza a subjetividade.
O terceiro é o eixo da psicopatologia descritiva e ateórica, onde se inserem as teorias comportamentais e cognitivas. Nessa visão, os transtornos mentais têm causas multifatoriais biológicas, psicológicas e sociais e o foco está na descrição clara dos sintomas e na intervenção baseada em evidências científicas. Dentro desse grupo, encontramos a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e suas vertentes, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), que hoje estão entre as abordagens mais estudadas e com maior número de pesquisas demonstrando eficácia para diversos transtornos.
Isso significa que as outras abordagens são ruins? Não. Significa que, atualmente, as terapias cognitivas e comportamentais concentram um volume maior de estudos científicos de qualidade, especialmente para questões como ansiedade, depressão, TOC, TDAH, entre outras.
É aqui que entra o conceito de Psicologia Baseada em Evidências (PBE). A PBE propõe que o trabalho clínico seja sustentado por três pilares: as melhores evidências científicas disponíveis, a expertise clínica do profissional e as características, valores e preferências do paciente. Ou seja, não basta aplicar uma técnica com maior número de estudos se ela não se adequar ao perfil do paciente. A ciência só é ciência quando respeita a individualidade.
Então, como escolher um psicólogo?
De forma geral, é recomendável buscar um profissional que trabalhe com base na ciência e que tenha formação sólida na abordagem que utiliza. As terapias cognitivas podem ser um bom ponto de partida, justamente por terem ampla base de pesquisa. Mas isso, por si só, não garante sucesso.
O psicólogo precisa, acima de tudo, ser humano, ético, respeitoso, tecnicamente preparado e capaz de considerar sua subjetividade. Não adianta aplicar a “melhor teoria do mundo” sem sensibilidade para adaptar o processo ao seu jeito, à sua história e às suas necessidades.
Além da abordagem, existe também a personalidade do profissional. Cada psicólogo tem seu estilo, sua forma de se comunicar, sua maneira de conduzir a sessão. E identificação importa. Assim como em qualquer profissão, existem profissionais mais comprometidos, responsáveis e dedicados e outros nem tanto. Por isso, observar postura ética, clareza nas informações, organização e responsabilidade faz parte do processo de escolha.
Resumindo: nem todos os psicólogos trabalham igual, e isso não é um problema é uma característica da própria psicologia. As terapias cognitivas são, hoje, uma excelente opção inicial pela base científica que possuem. Mas o mais importante é encontrar um profissional qualificado, ético e com quem você se sinta seguro para construir esse processo.
Com carinho,
Dani