Muito Prazer, Dani Fernandes

Há 15 anos tomei uma grande decisão na minha vida, cursar Psicologia! Não foi uma decisão cheia de certeza, havia insegurança, preocupação e o questionamento: Será que estou fazendo a escolha certa? Eu era uma jovem humilde e sonhadora que estava prestes a deixar o interior e buscar uma vida melhor, com poucos recursos, mas, com desejo de prosperar, honrar minha família de gente simples, honesta e batalhadora. Eu nem sequer imaginava que a Psicologia se tornaria uma das melhores escolhas da minha vida.

Hoje, com quase uma década de experiência sendo Psicóloga, eu percebo que “essa é minha missão”, eu não poderia estar em outro lugar. É minha paixão (e meu trabalho) estudar o comportamento e sofrimento humano, acolher uma pessoa que sofre, olhar nos seus olhos, entender suas queixas, amparar sua dor e através das ferramentas da psicologia ajudá-la a atravessar as mazelas de sua vida, ressignificar as marcas de sua história, compreender seus próprios padrões e dificuldades e buscar estratégias para mudar o que pode ser mudado ou aprender a conviver com o que foge do seu controle. Quanta responsabilidade e que trabalho complexo, não é mesmo? Um trabalho cheio de desafios, responsabilidades mas, com muito propósito, sentido e amor pelo ser humano e pela oportunidade de poder ser ferramenta de transformação. Eu sou imensamente grata por poder conhecer histórias mundo afora, por ser digna da confiança de cada paciente que me permite entrar em sua intimidade, conhecer seus medos, suas inseguranças, suas potencialidades e juntos construirmos uma vida que faça mais sentido, uma vida valiosa de se viver.

Mas, atender pacientes é apenas uma parte do meu trabalho. Ao longo da minha caminhada eu percebi que transformar a experiência e o conhecimento acumulado com muito estudo e dedicação em ensino, traria ainda mais sentido à minha caminhada. Eu não poderia deixar tantos aprendizados valiosos apenas na memória dos atendimentos realizados por onde passei, ou em bates papos informais com colegas, e por isso, iniciei minha carreira como professora e supervisora de psicologia, nessa área eu auxilio na formação e orientação de psicólogos e estudantes de psicologia que buscam um suporte para sua prática profissional. Além disso, crio materiais de suporte e orientações para psicólogos. Poder compartilhar o que aprendi e ainda aprendo ao longo da minha caminhada é simplesmente gratificante.

Para embasar meu trabalho e poder entregar um atendimento de qualidade, tanto para meus pacientes quanto para meus supervisionandos eu sempre entendi que o melhor caminho é estudar constantemente, ter uma postura curiosa, ética, respeitosa e humildade profissional. Curiosa no sentido de buscar cada vez mais conhecimento técnico e teórico que possam oferecer ferramentas seguras para intervir, através de materiais confiáveis e profissionais com caminhada sólida e com bons frutos. Ser curiosa também estudando além da psicologia técnica, olhando para o ser humano com um ser incrível e complexo, que tem uma cultura, crenças, uma história única e um modo de ver a vida que foi construído através das experiências vividas, então, eu estudo protocolos, livros técnicos, artigos, assisto aulas, faço cursos e formações, mas, na frente do meu paciente antes de aplicar qualquer técnica e conhecimento teórico (que é necessário para uma prática clínica eficaz e segura), eu enxergo alguém que precisa ser acolhido, ouvido e que talvez esteja um pouco perdido em sua caminhada e desconectado daquilo que lhe faz sentir vivo.

E sobre ser ética e respeitosa, é um dever do psicólogo, previsto em código de ética. Mas, na minha concepção, isso é o básico que um ser humano merece. Quando atendo um paciente, ou um profissional em supervisão, eu posso discordar de suas posturas, ouvir histórias curiosas que renderia bons roteiros de filmes e prenderam atenção de uma mesa de amigos, mas, o que eu escuto em sessões de terapia ou supervisão, é confiança depositada, é a intimidade da alma de alguém, suas feridas, seus medos e suas esperanças. E isso exige cuidado, respeito e silêncio ético. Por isso digo aos meus pacientes: Esse espaço é seu, é seguro, não tenha medo, aqui você pode falar tudo que precisa, sem ser medo de ser julgado e o mesmo confirmo aos meus supervisionandos, não tenham medo, toda dúvida será acolhida, nenhuma dúvida é boba, todo questionamento é válido.

Nesse contexto, acredito também na humildade profissional. Para mim, um bom profissional é aquele que reconhece que é bom no que faz, quando de fato é, porém, entende que não sabe tudo, que questiona, que busca, que estuda, que escuta e que não se coloca na cadeira do poder, da arrogância ou da soberba. É alguém comprometido em fazer o melhor por quem o procura, mesmo quando isso exige reconhecer seus próprios limites, pedir ajuda, estudar mais ou realizar encaminhamentos. Porque, no fim, ética, humildade e responsabilidade caminham juntas e é isso que sustenta uma prática verdadeiramente humana.

Acolhimento, humanidade, humildade, ciência, respeito e ética me acompanham nessa jornada.

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